4 de março de 2026

“Ela queria desistir da vida”, conta mãe de adolescente vítima de estupro coletivo no Rio

 


Dois, dos quatro homens acusados pelo crime de estupro contra uma menina de 17 anos em Copacabana, no dia 31 de janeiro, foram presos, na terça-feira (3/3). A polícia prendeu em uma ação Mattheus Zoel Martins, de 19 anos; e João Gabriel Xavier Berthô, de 19 anos, se entregou no fim da manhã, em uma delegacia do Rio de Janeiro. Outros dois jovens são considerados foragidos: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos; e Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, que é filho de um secretário do Rio. Em entrevista à TV Globo, a mãe da adolescente violentada, que não quis ter a identidade revelada, falou sobre como recebeu a notícia do estupro e as marcas, não só físicas, mas psicologica, deixada pelos criminosos na filha.

“Quando eu me deparei com ela, a primeira pergunta que eu fiz é: ‘Eles te deixaram alguma marca?’. Foi quando ela suspendeu o vestido, mais ou menos até aparecer a nádega, e eu fiquei desesperada e só catei os documentos e falei: ‘Vamos para a delegacia’”.

O depoimento é da mãe da jovem, que descreve o instante em que percebeu sinais da violência e decidiu procurar ajuda policial. O crime aconteceu em 31 de janeiro, dentro de um apartamento localizado em Copacabana.

Segundo relato prestado às autoridades, a adolescente foi convidada por um rapaz da mesma idade, com quem já havia tido um relacionamento, para ir até o imóvel de um conhecido dele. Registros das câmeras de segurança mostram três jovens chegando ao prédio, onde outro homem maior de idade já os aguardava. Pouco depois, a adolescente entra acompanhada do menor. As imagens foram desfocadas para resguardar a identidade dos envolvidos menores de 18 anos.

Em seu depoimento, a vítima afirmou que estava em um quarto com o adolescente quando outros quatro homens entraram no cômodo e passaram a constrangê-la a manter relações sexuais com eles. Ela relatou ainda que tentou sair do apartamento, mas foi impedida. O laudo do Instituto Médico-Legal constatou lesões na região genital, além de marcas nos glúteos e nas costas.

“Logo assim que ocorreu, ela se sentia muito culpada e dizia que queria desistir da vida, por vergonha, porque achava que por onde passasse todo mundo ia apontar como estuprada e como culpada. Ela está conseguindo se conscientizar que não tem culpa, de que não está sozinha e de que ela importa. E que o ‘não’ dela é muito precioso e importa”, diz a mãe da vítima.

Os quatro adultos foram indiciados por estupro coletivo qualificado, devido à menoridade da vítima, e também por cárcere privado. Eles são considerados foragidos. O adolescente apontado como responsável por levar a jovem ao local é alvo de representação por ato infracional análogo ao mesmo crime.

A vítima, o menor investigado e um dos adultos envolvidos estudam no Colégio Pedro II, tradicional instituição federal de ensino. A reitoria divulgou nota repudiando o episódio e informou que instaurou processo administrativo para desligamento dos dois estudantes, que já haviam recebido advertências e suspensões por comportamentos inadequados, incluindo agressões.

“Eu só quero que eles paguem, porque não tem que haver outras vítimas”, diz a mãe da vítima.

A defesa de João Gabriel Xavier Bertô declarou que ele ainda não prestou depoimento. A polícia informou que a investigação apontou a materialidade e a autoria dos suspeitos e que, por isso, não houve necessidade de depoimentos prévios.





Leo Dias